Stregheria,Stregoneria ou Bruxaria Italiana são os nomes dados a Velha Religião ( Vecchia Religione) da região da Itália. Culto Pagão com origens nos velhos Mistérios Etruscos e Egeus. A Stregheria é uma Religião que é formada por diversos Clãs. (Tradições ou Familias), na maioria segue uma linhagem Hereditária e Oculta. O culto Streghe é diverso, mas segue principalmente os ensinamentos da Prima Streghe( Arádia ou Heródia).
A Deusa Diana e o Deus Cornifero Dianus Lucifero.

Total de visualizações de página

Bruxo Callegari - TV Espelho Mágico

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A partir de quais critérios se reconhece algo como religião? Diferenças entre seita X religião.



 A partir de quais critérios um momento histórico reconhece algo como religião? 
Dito de outro modo: onde, quando e por quem os sistemas classificatórios são inventados e de que maneira adquirem legitimidade para serem aceitos como tais?
 A literatura sobre o campo religioso brasileiro tem demonstrado que as fronteiras institucionais que distinguem as religiões (não-católicas) entre si resultam de um processo histórico de alianças e conflitos entre atores religiosos e (não-religiosos) . 
 Nesse processo, as formas religiosas foram se constituindo e se modificando em função de um jogo de forças que opôs a eficácia simbólica daquilo que contextualmente fosse definido como mágico e a legitimidade social do que fosse assumido como religioso. Assim, embora as análises antropológicas mais recentes tendam a fixar essas cosmovisões e seus rituais como inerentes às identidades religiosas  supondo implicitamente que essas práticas já nasceram como "religiões" definidas, pode-se perceber a partir dos dados históricos apresentados pela literatura que as particularidades dos contextos locais, as personalidades e as trajetórias dos agentes mediadores que procuram institucionalizar certas práticas e os limites colocados pelas diretrizes jurídico-políticas do Estado promoveram arranjos muitas vezes difíceis de enquadrar nas tipologias religiosas produzidas pelos modelos acadêmicos.  A jovem República tinha diante de si a difícil tarefa de transformar as naturezas primitivas de negros, mulatos e índios (e imigrantes) em uma só sociedade civil, a qual se fundamentaria sobretudo na produção de sujeitos passíveis de serem submetidos à normatividade das leis e na moralidade da religião (cristã). Tratou-se então de absorver e reinterpretar o conhecimento antropológico disponível para discernir o mais claramente possível aqueles que poderiam ser objeto da normatividade legal: feiticeiros, curandeiros, charlatões, exploradores da credulidade pública ou simples vítimas. 
 Se a liberdade religiosa foi cronologicamente a "primeira", a que serviu de modelo para todas as outras formas de liberdade civil, a constitucionalidade jurídica da República se viu às voltas com o problema de separar, no confuso quadro das práticas da população, o que era "religião", portanto com direito a proteção legal, daquilo que era "magia", prática anti-social e anômica a ser então combatida. Em contrapartida, as diversas forças sociais, médicos, advogados, curandeiros, filhos-de-santo etc. Procuravam influir como podiam nesses processos classificatórios ao mesmo tempo simbólicos e políticos. Na verdade, a extensa agenda do regime republicano para laicizar o Estado e excluir critérios religiosos da cidadania começou por ocupar-se exclusivamente da Igreja Católica. Outras religiões não foram objeto de debate sistemático, a não ser o protestantismo, que naquele momento já disputava seu lugar no espaço público, sobretudo por meio da atividade educacional.
Portanto, a noção genérica de "religião" a partir da qual se garantiram legalmente a liberdade religiosa e a expressão dos cultos teve como matriz o intenso debate jurídico sobre a melhor maneira de regular os bens, as obras e as formas de associação da Igreja Católica.
Na formulação de "Giumbelli", as disputas em torno da liberdade religiosa que constituíram o espaço civil republicano nunca versaram sobre "qual religião teria liberdade, mas quase sempre sobre a liberdade de que desfrutaria a religião [católica]", uma vez que não havia então qualquer outro culto estabelecido, nem se concebiam outras práticas populares como religiosas.
Mas se religião consistia consensualmente apenas naqueles cultos praticados pela Igreja Católica, como regulamentar as outras práticas que se expressavam no espaço público? 
 A Constituição de 1891, ao dissolver o vínculo entre Igreja e Estado, suprimiu as subvenções oficiais, mas autorizou toda confissão religiosa a associar-se para esse fim e adquirir bens. Impediu no entanto a institucionalização de associações religiosas em templos ou igrejas, atribuindo-lhes o mesmo estatuto de outras entidades da sociedade civil .
O próprio processo repressivo operante entre 1920 e 1940 teria contribuído para o reconhecimento do estatuto religioso das práticas espíritas, que no início do século XX não tinham a menor pretensão de se fazer reconhecer como religião. No entanto, ao propagar suas atividades de assistência aos necessitados em "gabinetes clínicos", os espíritas desafiaram um dos pilares da ordem pública urbana: o controle da saúde pública mediante o cerceamento do exercício ilegal da medicina. Ao examinar casos de denúncias nesse sentido julgados nos tribunais, o autor aponta que se travou um debate em torno das formas legítimas e ilegítimas de praticar o espiritismo cujo fulcro era a oposição entre religião e magia (espiritismo como doutrina e como curandeirismo), substrato da distinção entre crença e exploração da credulidade pública. A descriminalização da mediunidade e das práticas curativas a ela associadas será resultante de um processo de transformação do espiritismo em uma forma de culto religioso. Se o médium é um crente (nos espíritos que dão assistência e curam), não há em seu ato nenhum estelionato, visto que se trata de um rito religioso, instrumento da ação divina.
Processos muito semelhantes constituíram o estatuto religioso da umbanda em São Paulo no período 1920-50. Também organizados como associações civis para se proteger das sanções legais, os terreiros foram pouco a pouco assumindo estatuto de religiões, mas para tanto abrigaram-se sob a rubrica do espiritismo, cujas práticas eram mais facilmente aceitas como religiosas do que aquelas de origem africana, marcadas pela ideia de magia. 
Em seu trabalho sobre a institucionalização da umbanda em São Paulo, Negrão relata que entre 1920 e 1940 as associações umbandistas eram registradas em cartório como espíritas, pois só assim podiam exercer publicamente suas atividades sem sofrer perseguição policia .No interior desse quadro legal, as diferentes associações selecionavam estrategicamente os arranjos rituais que melhor funcionassem para o tenso equilíbrio entre aquilo que devia ser feito para angariar reconhecimento no âmbito local das relações sociais e aquilo que devia ser evitado para não sofrer acusações que pudessem cair na órbita do poder público. Veremos adiante como essa tensão permanente entre os interesses particulares e locais relacionados ao "sucesso" de uma casa de culto e as necessidades de legitimidade inerentes às suas variadas formas de publicização (desde autorizações para ocupar espaços públicos até concessões de meios de comunicação) alimentou continuamente as mudanças nas configurações rituais dos diferentes cultos.
Em face das disputas históricas que marcaram as distinções entre o religioso e o mágico no país, podemos perceber como a ideia weberiana de "secularização" é insuficiente para explicar a construção do espaço público no Brasil. A instauração de um Estado secular produziu ao mesmo tempo um espaço civil e novas religiões. A demarcação das fronteiras religiosas foi resultado de um processo histórico de diferenciação entre magia e religião, e seus limites se deslocam continuamente em função dos consensos produzidos a cada momento. O pluralismo religioso, convencionalmente compreendido como tolerância com a diversidade de cultos e como respeito à liberdade de consciência, se constituiu às avessas no Brasil: não foi fundamento do Estado moderno, mas seu produto.
Ainda que para determinadas práticas o "tornar-se religião" tenha representado a única forma socialmente legítima de existirem no espaço público, não se pode inferir que essas práticas assumiram em seu "modus faciendia" forma daquilo que a literatura especializada convencionou chamar de "religião": um sistema doutrinário de crenças em deuses. Com efeito, as formas de crença supostas pela literatura subjetivadas e racionalizadas não parecem dar conta do modo como os sujeitos circulam entre casas de culto e se apropriam das práticas rituais disponíveis. As lutas pela legitimidade social lançam mão de códigos compartilhados (o jogo entre caridade e feitiço) a fim de produzir poder social e simbólico em cada situação. Ocorre porém que esses códigos parecem funcionar com sinais trocados: quanto maior o poder social (investido no ideal da caridade/gratuidade), menor o poder simbólico (força mágica do feitiço/dinheiro). A recente expansão do neopentecostalismo não modificou os termos dessa equação; antes, produziu uma equação com maior capacidade de generalização.



Vamos entender as diferenças entre seita X religião. Apesar de ambas possuírem seguidores, há diferenças pequenas entre seita X religião. Vamos entender cada uma abaixo:

Seita

A seita deriva de um termo que vem do latin “secta” que significa seguidor, todo grupo que segue uma determinada corrente seja ela religiosa, política, musical entre outros ramos são designados com indivíduos de uma seita, esses grupos por defenderem uma ideia, ou pessoa específica muitas vezes são julgados por algumas religiões.

Na época em que os pensadores gregos ainda habitavam o mundo dos vivos, a palavra para definir esses grupos era heresia que no grego seria háiresis, traduzindo significa escolha, tomar partido, corrente de pensamento, anos depois passou a ser designada para o latim se transformando em secta.

Religião

A religião no geral é seguida por um grupo de pessoas que acreditam em Deus, ou entidades divinas, seguindo crenças culturais, visões do mundo segundo a doutrina de cada uma dessas religiões, cada uma das religiões estipula como seus seguidores devem se portar diante da sociedade, fazem com que o homem que crê entre em contato com o divino, cada um da sua maneira.

Em algumas religiões não são aceitos os costumes de pessoas que estão fora do convívio social dela, desde os primórdios da religião essa divisão religiosa ocorre, em alguns casos religiões afro descentes e seitas são taxadas de malignas e más por não seguirem os padrões religiosos impostos pelo cristianismo que foi uma das primeiras religiões a habitar a vida das pessoas.


O que é uma Tradição ?

TRADIÇÃO...


A palavra "Tradição" teve originalmente um significado religioso: doutrina ou prática
transmitida de século para século, pelo exemplo ou pela palavra. Mas o sentido se
expandiu, significando elementos culturais presentes nos costumes, nas Artes, nos
fazeres que são herança do passado. Em sua definição mais simples, tradição é um
produto do passado que continua a ser aceito e atuante no presente. É um conjunto de
práticas e valores enraizado nos costumes de uma sociedade. Esse conceito tem
profundas ligações com outro como cultura e folclore. E, em geral, é matéria de estudo
das ciências sociais, sendo objeto de pensadores clássicos da Sociologia como Max
Weber.
A tradição tem, na perspectiva sociológica, a função de preservar para a
sociedade costumes e práticas que já demonstraram ser eficazes no passado. Para
Weber, os comportamentos tradicionais são formas puras de ação social, ou seja, são
atitudes que os indivíduos tomam em sociedade e são orientadas pelo hábito, pela noção
de que sempre foi assim. Nessa forma de ação, o indivíduo não pensa nas razões de seu
comportamento. O comportamento tradicional seria, então, uma forma de dominação
legítima, uma maneira de se influenciar o comportamento de outros homens sem o uso da
força.
Uma visão clássica da tradição nas ciências sociais acredita que ela teria
dificuldades em acompanhar as mudanças e, à medida que o liberalismo e o
individualismo foram ganhando espaço no Ocidente, os comportamentos tradicionais
teriam perdido espaço. As tradições, nesse sentido, teriam se enfraquecido com a
industrialização e o nascimento das sociedades industriais, dando lugar a uma rotina cada
vez mais preenchida pela ciência e pela técnica.
Mas as tradições evoluem e se transformam com as novas necessidades de cada
sociedade, funcionando inclusive para impedir que ela se dissolva. Segundo Dominique
Wolton, a tradição não é mais vista pelas ciências sociais como uma coisa arcaica, mas
como aprendizagem, reapropriamento. Para ele, na medida que as sociedades se
modernizam, a tradição aparece para suportar a mudança social, pois nenhuma
sociedade muda radicalmente, sendo que cada fase de mudança possui também
estabilidade.
Outra perspectiva comum é a relação feita entre tradição e modernidade. Para
Boudon e Bourricard, é corriqueira a oposição entre sociedades tradicionais e sociedades
industriais. O problema dessa oposição é que ela não traz uma definição clara de quais
são as características de uma sociedade tradicional. Na verdade, ela engloba sociedades
tão diferentes quanto o Sacro Império Romano Germânico e a Babilônia, em contextos
históricos totalmente diversos. E, assim, a definição de sociedades tradicionais termina
por se basear não nas características que elas compartilham, mas nos elementos que elas 
não possuem, e existem nas sociedades modernas, como a escrita, a divisão de trabalho com 
ênfase na produção, as trocas interpessoais. Para esses autores, em vista desses problemas 
é muito mais interessante hoje o uso do conceito de tradição do que de sociedades 
tradicionais, pois tradição é algo que pode existir em todas as sociedades,inclusive nas 
industriais.
A tradição como tema de estudos tem também ganhado espaço na História.
Eric Hobsbawm, por exemplo, estudando o mundo contemporâneo, utiliza o
conceito de tradições inventadas para denominar o conjunto de práticas, de natureza
ritual ou simbólica, regulado por regras aceitas por todos, que tem como objetivo
desenvolver na mente e na cultura determinados valores e normas de comportamento,
por meio de uma relação com o passado feita pela repetição constante dessas práticas.
Para Hobsbawn, uma das características das tradições inventadas é que elas
estabelecem uma continuidade artificial com o passado, pela repetição quase obrigatória
de um rito. As tradições têm como função legitimar determinados valores pela repetição
de ritos antigos (ou de ritos definidos como antigos, no caso das tradições inventadas),
que dariam uma origem histórica a determinados valores que devem ser aceitos por todos
e se opõe a costumes novos.
Hobsbawm defende que um dos aspectos mais fortes da tradição é sua
característica invariável, ou seja, seria um conjunto de práticas fixas que, por serem
sempre repetidas de uma mesma forma, remeteriam ao passado, real ou imaginado.
Mas muitas pesquisas antropológicas recentes, assim como trabalhos sobre o
folclore, contestam o caráter fixo das tradições. Para essas, a cultura popular nas
tradições e manifestações folclóricas se renova constantemente por meio da criação
anônima. No caso de Hobsbawm, ele estuda tradições inventadas pelas sociedades
industriais, que, após a Revolução Industrial, tiveram de criar novas rotinas e novas
convenções. São rituais e eventos que, segundo ele, são muitas vezes criados por um só
personagem, no caso das tradições inventadas. É o caso do escotismo, o corpo dos
escoteiros, instituição internacional criada por Baden Powell, em 1909, com o objetivo de
aperfeiçoar física e moralmente os jovens. O escotismo está repleto de tradições
inventadas, na forma de rituais e normas de comportamento, constantemente repetidos e
ensinados aos novos membros. Também a realeza britânica possui muitas tradições
mencionadas por Hobsbawm, algumas inventadas e outras autênticas, sempre repetidas,
como a cerimônia de coroação ou de sepultamento da realeza na abadia de Westminster,
como para reafirmar a Antiguidade e a legitimidade da monarquia. Nesse sentido, tradição
também tem uma ligação muito forte com o conceito de Antiguidade como um período de
grandes homens, uma Idade de ouro.
Sociólogos como Tom Bottomore e William Duthwaite, por sua vez, acreditam que
o termo tradição deve ser empregado para as esferas mais importantes da vida humana,
como a religião, o parentesco, a comunidade etc., deixando as esferas menores de ritos e
costumes cotidianos com o conceito de folclore. Defendem, além disso, que as tradições
não são necessariamente estáticas ou imóveis. Para eles, migrações e mesmo revoluções, que são fenômenos geradores de mudança por excelência, algumas vezes
estão baseados no desejo de disseminar tradições ou de protegê-las. Eles dão como
exemplo a Reforma Protestante, fenômeno que gerou muitas mudanças sociais e
culturais, mas que teve como base um desejo de retornar às tradições do Cristianismo
primitivo. Por outro lado, poderíamos acrescentar que a colonização da América
espanhola vivenciou também tentativas da Coroa, da Igreja e de determinados grupos
sociais de transferir para as colônias tradições e costumes antigos na própria Espanha,
como o Catolicismo e a cultura da fidalguia.
Outro exemplo do trabalho histórico com a tradição é o estudo do pensamento
ibérico barroco e moderno, por Rubem Barboza Filho, que por meio da tradição procura
entender a constituição das identidades da América Ibérica. Barboza Filho observa a
influência da tradição na formação do caráter moderno da Ibéria. Pensa tradição como um
elemento vivo e atuante, que aparece na vida social do presente. Afirma que o conceito
de tradição foi muito utilizado pelos pensadores ibéricos, como Unamuno, na passagem
do século XIX para o XX, como uma forma de crítica à modernidade, de projeto alternativo
à modernização da Europa que não incluía a Espanha. Muitos intelectuais espanhóis de
então defendiam a revalorização das tradições ibéricas como forma de, mediante
elementos culturais puramente espanhóis, tornar possível superar a decadência na qual o
país se encontrava. Os elementos que Unamuno caracterizou como tradicionais na
cultura espanhola foram a fé, a paixão, a mística. Elementos opostos à modernidade, por
sua vez definida pela ciência e técnica. Personagens como El Cid e Dom Quixote, a
tradição cultural do Século do Ouro (o século XVI na Espanha, auge do império
espanhol), da Arte barroca, da Inquisição e do poderio do Catolicismo e da monarquia
foram recuperados na passagem do século XIX para o XX como elementos de tradição
úteis para a construção de uma identidade própria e conservadora da Espanha, diante da
expansão da modernidade ocidental.
Vemos, assim, que tradição possui muitos significados: pode estar atrelada ao
conservadorismo e ao resgate de períodos passados considerados gloriosos; pode ser
inventada para legitimar novas práticas apresentadas como antigas. Muitas vezes é
pensada como imóvel, mas hoje cada vez mais estudiosos percebem suas ligações com
as mudanças. Está ligada ao folclore, à cultura popular e à formação de identidades.
Assim, é um tema muito prolífico, que dá margem a discussões variadas. No
Brasil, onde a cultura popular está sendo recuperada cada vez de forma mais intensa e
onde também surge um forte movimento de revalorização das tradições e do folclore, é
importante que os professores de História entendam os sentidos dessas noções, assim
como suas diferenças: enquanto a tradição está atrelada a costumes, ritos e valores mais
abrangentes, o folclore trabalha principalmente com as tradições da cultura popular.



Fontes: 
BARBOZA FILHO, Rubem. Tradição e artifício: iberismo e barroco na formação
americana. Belo Horizonte/Rio de Janeiro: Ed. UFMG/Ed. IUPERJ, 2000.
BOUDON, Raymond; BOURRICAUD, François. Dicionário crítico de sociologia.
São Paulo: Ática, 1993.
DUTHWAITE William; BOTTOMORE, Tom. Dicionário do pensamento social do
século XX. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996.
HOBSBAWM, Eric; RANGER, Terence (orgs.). A invenção das tradições. São

Paulo: Paz e Terra, 2002.  

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Os Elementais dos Cristais

Os Elementais dos Cristais

Aqui adentramos o mais poderoso reinos dos elementais.
Entre essa classe de elementais que estão fora da classificação de “Paracelso”, ficam na mais elevada ordem de elementais em evolução e campo vibracional.
Como seres inter dimensionais, são compostos de energia vibracional muito elevada, entram já na classe de hierarquias cósmicas, onde trabalham com Devas , Avatares e Ascensionados aos quais eles auxiliaram na evolução. 
No caso dos mencionados “Avatares”, que sempre são orientados por essa classificação de elementais.
Eles vibram em todas as cores das esferas luminosas , desde o branco puro até as sete cores do arco- íris, tão deslumbrantes, que turvam a visão por excesso de luz ou brilho. Esses elementais acabam por fazer parte do trabalho com a grande confraria dos mestres ascensionados, como muitos referidos na “Grande Fraternidade Branca.” Que geralmente os tem como os “Sete Mestres”, e quando outro entra na escala da hierarquia dos sete, o seguinte sobe para uma esfera mais elevada , para que o que acabou de chegar nessa escala de evolução, possa ocupar o seu lugar.
Na verdade existem milhares de ascensionados de vários pontos do universo, que se unem na dimensão desses elementais ligados ao reino dos Cristais.
Sua dimensão é a mais fantástica e bela que possamos imaginar, com cidades de cristal, céus coloridos como a aura boreal e estruturas cristalinas vivas, que podem crescer como se fossem vegetais, que concedem um aspecto ainda mais maravilhoso a esse já fantástico reino. Eles trabalham puramente por emanações de luz que são amplificadas pelos cristais, que agem como potencializadores de suas irradiações.
Podem ser classificados entre os "Elfos-Boreais" ou "Elfos da luz".
Esses elementais possuem as mais diversas formas, um espetáculo feérico (de brilho próprio) , já foram registrados em algumas experiências com fotos, em institutos de pesquisas paranormais. Trabalham em sete planos vibracionais, sete acima, sete abaixo, sete a direita e sete a esquerda..
Fornecem a condução as fontes de energia cósmica para os chacras, enquanto os homens dormem, restauram sua auras. Existem em seus reinos fontes de energia inesgotável, suficiente para manter vários sistemas planetários e varias galaxias.




(Autor: Valdir Callegari)


O Povo Pequeno




O Povo Pequeno (Little People) é uma raça humanóide aborígene que originalmente habitava as Ilhas Britânicas. Na aurora do mundo havia uma grande quantidade deles, vivendo nas profundezas das florestas e bosques intocados. Nessa época eles guardavam forte semelhança com os humanos, exceto pela estatura os mais altos tinham 1,20 m e pelo porte esguio, feições delicadas e grandes olhos.
O Povo Pequeno possuía uma forte ligação com a terra e alguns acreditam que eles dominavam magia e rituais, embora não haja provas desse conhecimento arcano. A espécie constitui a base para muitos mitos e lendas a respeito de elfos, fadas e outras criaturas místicas do folclore britânico.
A medida que os primeiros colonos humanos atravessaram o Canal da Mancha se fixando nas Ilhas Britânicas, o choque entre as raças foi inevitável. O Povo Pequeno ficou conhecido por sequestrar crianças humanas na calada da noite e substituí-las pelas suas próprias.
O Povo Pequeno procurava sobretudo mulheres humanas, com as quais tentavam se reproduzir, gerando crias híbridas. Mulheres humanas, eram raptadas levadas até o centro da tribo , na esperança de que fosse impregnada com sua semente. Em seguida a mulher era libertada na floresta, eles aguardavam até ela dar a luz para que a criança fosse reclamada. É possível que alguns povos humanos primitivos considerassem esse costume uma espécie de honra, e de bom grado oferecessem meninas ao Povo Pequeno de bom grado logo após o primeiro ciclo menstrual. As crianças híbridas eram consideradas mágicas. Mas a grande maioria dos colonos ficaram horrorizados com o resultado dessa união e reagiram os ferindo com ferro.
Gradativamente, o Povo Pequeno começou a ser exterminado pelos humanos e empurrado para o interior da ilha, fixando-se nas florestas mais densas e daí para o subterrâneo sob montanhas e ravinas.
O Sul da Inglaterra e do País de Gales recebeu a maioria desses sobreviventes que escavaram túneis profundos que os conduzia ao coração da terra onde eles se escondem por gerações.

Com o tempo, o Povo Pequeno foi esquecido pelos humanos e sua existência de fato, suplantada pela crença de que eles não passavam de lendas, contos de fada benignos. A verdade, no entanto, é bem menos inocente. O Povo Pequeno continua vivendo em bolsões isolados nas regiões mais selvagens de Gales, da Irlanda e do Sul da Inglaterra. Eles guardam um profundo rancor dos humanos.
Nas raras ocasiões que humanos adentram os domínios do Povo Pequeno a reação tende a ser de não deixa-los sair. Mulheres capturadas são arrastados para os subterrâneos para gerar filhos.Se libertadas tem suas mentes apagadas. Em seguida em geral completamente enlouquecida pela experiência de não se lembrar de nada do que aconteceu. As crianças nascidas dessa união, em geral são híbridas com características que remetem mais ao Povo Pequeno, o que é atribuído a algum tipo de deformidade congênita. Essas crianças, quando sobrevivem, acabam eventualmente se juntando aos seus pais nos subterrâneos. Há casos, entretanto, de crianças que nascem herdando traços humanos e que são capazes de crescer e se misturar às pessoas normais embora, eles sejam vistos com desconfiança, por razões que a maioria não consegue explicar. Esses híbridos são muito valiosos para o Povo Pequeno e quando se juntam aos seus "pais" são alçados a posições de liderança.
Membros do Povo Pequeno parecem fisicamente com humanos de baixa estatura, muito esguios e atléticos. Se vistos rapidamente, podem ser facilmente confundidos com crianças selvagens. Eles são mestres em ocultar sua presença quando andam nas florestas e bosques. Essa habilidade nata impede que sejam vistos claramente. Eles possuem cabelos longos, lisos e amarrados em tranças enfeitados com folhas e flores. Sua pele é pálida em certos casos, alguns apresentam escamas abdominais. Seus olhos são grandes, arredondados e brilhantes denotando um brilho animalesco que foge de qualquer racionalidade.
O Povo Pequeno é primitivo eles não dominam as mais básicas noções de civilidade; desconhecem e desprezam o fogo uma vez que resistem bem ao rigor da temperaturas e enxergam perfeitamente no escuro. As poucas ferramentas que eles criam são rústicas: lanças, machados e facas feitas de pedra lascada, ainda que extremamente afiadas e manejadas com precisão mortal. Na maioria das vezes eles não vestem roupas, mas os líderes carregam ornamentos e adereços que indicam seu status superior. Eles se comunicam com uma série de grunhidos sibilantes, e podem também se comunicar usando alguns simples hieróglifos cervulíneos Esses símbolos, uma simplificação do idioma Aklo valusiano cobre as paredes dos refúgios subterrâneos que servem como lar para o Povo Pequeno. As tribos tendem a venerar diferentes deuses negros do Mythos, sendo que Yig e Shub-Niggurath são as divindades mais tradicionais.
Em virtude da grande quantidade de lendas a respeito de "Povos Pequeninos" encontrada em várias culturas e civilizações, é possível que o Povo Pequeno possa ter existido (ou ainda exista!) em outros continentes.



quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O que é Gnose?

O que é Gnose:

O termo gnose deriva do termo grego "gnosis" que significa "conhecimento". É um fenômeno de conhecimento espiritual vivenciado pelos gnósticos (cristãos primitivos sectários do gnosticismo). Para os gnósticos, gnose é um conhecimento que faz parte da essência humana. É um conhecimento intuitivo, diferente do conhecimento científico ou racional.

Gnose é o caminho que pode guiar à iluminação mística através do conhecimento pessoal que conduz à salvação. A existência de um Deus transcendente não é questionada pelos gnósticos, pelo contrário, veem no conhecimento divino um caminho para atingir um conhecimento mais profundo da realidade do mundo.

O gnosticismo está relacionado com ensinamentos esotéricos da cultura grega e helenística, que expõe aos seus iniciados um caminho de salvação que tem como base o conhecimento de certas verdades ocultas a respeito de Deus, do homem e do mundo.
O gnosticismo cristão designa um conjunto de crenças de natureza filosófica e religiosa cujo princípio básico assenta na ideia de que há em cada homem uma essência imortal que transcende o próprio homem. Assim,  o homem é visto como um ser divino que caiu na terra de forma desastrosa, e que só pode se libertar dessa condição através de uma verdadeira Revelação.
gnosiologia é a área da filosofia que se ocupa do estudo dos fundamentos do conhecimento humano.

Gnose e maçonaria

O gnosticismo pode ser qualificado como uma religião. No entanto, apesar de não ser considerada como uma religião, a maçonaria está relacionada no sentido em que tem como objetivo alcançar o Conhecimento Integral (profundo conhecimento em várias áreas distintas), ou seja, tem bastantes semelhanças com o gnosticismo, onde a gnose desempenha um papel de grande relevância.

O que é Mito?

O que é Mito:

Mito são narrativas utilizadas pelos povos gregos antigos para explicar fatos da realidade e fenômenos da natureza, as origens do mundo e do homem, que não eram compreendidos por eles. Os mitos se utilizam de muita simbologia, personagens sobrenaturais, deuses e heróis. Todos estes componentes são misturados a fatos reais, características humanas e pessoas que realmente existiram.
Um dos objetivos do mito era transmitir conhecimento e explicar fatos que a ciência ainda não havia explicado, através de rituais em cerimônias, danças, sacrifícios e orações. Um mito também pode ter a função de manifestar alguma coisa de forma forte ou de explicar os temas desconhecidos e tornar o mundo conhecido ao Homem.
Mito nem sempre é utilizado na simbologia correta, porque também é usado em referência as crenças comuns que não tem fundamento objetivo ou científico. Porem, acontecimentos históricos podem se transformar em mitos, se tiver uma simbologia muito importante para uma determinada cultura. Os mitos têm caráter simbólico ou explicativo, são relacionados com alguma data ou uma religião, procuram explicar a origem do homem por meio de personagens sobrenaturais, explicando a realidade através de suas historias sagradas. Um mito não é um conto de fadas ou uma lenda.
A mitologia é o estudo do mito, das suas origens e significados. Alguns dos mitos mais conhecidos fazem parte da mitologia grega, que exprime a maneira de pensar, conhecer e falar da cultura grega. Fazem parte da mitologia grega os deuses do Olimpo, os Titãs, e outras figuras mitológicas como minotauros e centauros.
Um mito é diferente de lenda, porque uma lenda pode ser uma pessoa real que concretizou feitos fantásticos, como Pelé, Frank Sinatra, etc. Um mito é um personagem criado, como Zeus, Hércules, Hidra de Lerna, Fênix, etc.

Mito da Caverna

O mito da caverna possui vários outros nomes, como "alegoria da caverna", "prisioneiros da caverna" ou "parábola da caverna". Essa alegoria faz parte da obra "A República", da autoria do filósofo grego Platão.
Nesta narração, Platão nos convida a imaginar uma caverna onde dentro existem humanos que nasceram e cresceram dentro dessa mesma caverna. Eles nunca saíram, porque se encontram presos no seu interior. Os habitantes da caverna estão de costas voltadas para a sua entrada. Fora da caverna, existe um muro alto que separa o mundo exterior da caverna. Os homens existentes no mundo exterior mantêm uma fogueira acesa, e os ruídos que fazem podem ser ouvidos dentro da caverna. De igual forma, as suas sombras são refletidas na parede no fundo da caverna, e os seres humanos acorrentados, vêm as sombras e pensam que elas são a realidade.
Em seguida, Platão pede que imaginemos que um dos seres humanos acorrentados consegue fugir  da caverna, subir o alto muro e passar para o outro lado, descobrindo que as sombras que antes via, vinham de homens como ele. Além disso, descobriu também a natureza que existia do outro lado do muro. Platão discursa então sobre o que esse homem fará com essa nova realidade e o que poderá acontecer se ele resolver voltar para a caverna, contando aos outros que a vida que estão vivendo é na realidade um engano. Poderá acontecer que os outros homens o ignorem completamente, ou no pior dos casos, que o matem, por considerarem que ele é um louco ou mentiroso.
Através desta alegoria, Platão nos remete para a situação que muitos seres humanos vivem, num mundo de ilusão, e presos por crenças errôneas, preconceitos, ideias falsas, e por isso vivem em um mundo com poucas possibilidades, assim como os homens na caverna.
Platão usou essa narrativa para explicar como o ser humano pode obter libertação da escuridão com a ajuda da luz da verdade, falando também da teoria do conhecimento, do conceito de linguagem e educação como alicerces de um Estado Ideal. Contudo, é importante perceber que indivíduos que procuram espalhar a luz e a verdade - como o homem que regressara à caverna - são muitas vezes mortos. Esse foi o caso de Sócrates, que foi condenado à morte, depois de ter sido acusado de corromper a mente dos jovens.

Mito de Narciso


Na mitologia grega, um dos mais famosos mitos é o de Narciso, um jovem tão bonito que despertou o amor de Eco, uma bela ninfa. Narciso rejeitou esse amor, fazendo que a ninfa ficasse destruída com a rejeição. Como castigo, a deusa Nêmesis fez com que ele se apaixonasse pelo próprio reflexo no rio, de tal forma que Narciso morreu afogado.

Ciência versus Religião - Conflitos Eternos?

Ciência versus Religião


À luz das pesquisas mais recentes, a fé religiosa não tem mais sentido, sobretudo quando procura explicar o Universo, a vida e as leis que os regulam. Mas quando recuam até o princípio desse processo, ciência e religião encontram-se diante do mesmo e (até agora) inexplicado mistério: de onde surgiu tudo isso?


É certo que em muitos países do mundo ocidental a religião se encontra em franco retrocesso, ainda que a maioria das pessoas continuem buscando aquilo que se chama um sentido para a vida. Surpreendentemente, é um ramo da ciência que estimula cada vez mais essa busca. Eu me refiro àquela parte da Física que se ocupa das questões básicas do tipo de onde saiu o Universo ou como ele surgiu.
Em geral, a ciência não desfruta de uma imagem social, muito simpática, hoje em dia. 
Ela é considerada fria, impessoal, carente de sentimentos. Há até quem a culpe pelo fato de que o homem já não seja considerado o ponto central e absoluto de todas as coisas, tal como acontecia no tempo em que a imagem do mundo era descrita pelas religiões tradicionais, e de que tenhamos de nos conformar com a ideia de que a humanidade é algo insignificante, alojada em um planeta sem importância que se desloca a enorme velocidade pelo vazio do Universo. Assim, não sobra do homem muito mais do que a teoria de que é mero acidente, sem alma, sem objetivo e sem finalidade alguma em um Universo sem sentido, que surgiu sem nenhuma planificação prévia.

Mas comecemos pela questão da criação, ou melhor, da formação do Universo. 
Por quem e com que meios foi ele criado? Todas as religiões possuem seus mitos próprios sobre a criação, um ato planificado de uma divindade que já existia anteriormente. Vejamos agora o ponto de vista da ciência. O conjunto do Universo apareceu há aproximadamente quinze bilhões de anos devido a uma gigantesca explosão, que popularmente ficou conhecido como Big Bang. Dela há duas provas importantes: o Universo ainda continua em expansão e conserva um mínimo do calor daquela explosão, cuja magnitude jamais se calculou. 
No entanto, é possível medir esse calor que ainda esta no Universo, como uma radiação remanescente, e ele é mais ou menos de quatro graus acima do zero absoluto ( N. da R.: mais ou menos 270 graus abaixo de zero, pois na escala Celsius, que utilizamos no Brasil, o zero absoluto corresponde a 273 graus negativos).
Por outro lado, a maioria dos pesquisadores do Cosmos aceita, atualmente, que no momento da criação do mundo o tempo e espaço, estavam infinitamente distorcidos, numa situação que se chama singularidade. Essa singularidade também pode se chamar limite ou fronteira. Ou seja, limite ou fronteira do espaço e do tempo. De qualquer forma, não é possível falar de estado de singularidade e, simultaneamente, do espaço e tempo. Em um estado de singularidade não existe absolutamente nada, nem espaço nem tempo. Dessa forma, no estado de singularidade temos diante de nós a verdadeira origem do espaço e do tempo.
Muita gente ainda tem uma ideia equivocada do Big Bang, o que é mais do que desculpável. Normalmente se acredita que havia um pedaço de matéria, extremamente comprimida, que existia por toda a eternidade, num pequeno pedaço de vazio sem limites. O pesquisador, ao contrário, vê isso de forma muito diferente. Se se toma a sério o estado de singularidade, então fica desde logo excluída a possibilidade de existência de tempo antes do Big Bang. 
Da mesma forma, que não existia o espaço vazio. Ambos surgiram do nada no momento da explosão. É assim, por mais difícil que nos pareça chegar a entender tudo isso.
Pelo menos nos primeiros tempos, essa teoria do Big Bang provocou muitas discussões entre os cientistas, pois mesmo entre eles havia quem imaginasse que não aparecera, apesar de tudo, nenhuma explicação para o surgimento repentino do Universo. E mais ninguém podia também explicar de onde vieram a matéria e a energia que apareceram naquela hora. Para muitos, dessa forma, continuou parecendo possível acreditar em algo semelhante à criação, tal como descrita nos livros religiosos. E há ainda outro mistério a explicar: por que o Universo tomou a forma e a organização que hoje conhecemos?
Fica claro que, imediatamente após o Big Bang, matéria e energia ficaram distribuídas de um modo assombrosamente uniforme. O Big Bang é, todo ele, uma coisa extraordinariamente uniforme. Todas as regiões do Universo nasceram da explosão no mesmo momento e exatamente com a mesma força. Mas isso ainda não é tudo. 
Em todo esse Universo, tão regular em suas características, havia desde o princípio uma pequena dose de diversidade, impossível de calcular. Uma ínfima capacidade de inobservância ou descumprimento das regras. Daí partiram os primeiros passos rumo à formação dos sistemas e das galáxias.
Muitos pesquisadores acreditam que já no primeiro momento ficaram decididas as questões mais importantes que definem nosso Universo e que se pode explicar por que tudo é assim e não de outra forma qualquer. A chave do entendimento de todo esse conjunto está na Física Quântica. Normalmente, suas leis têm explicação apenas em processos que ocorrem dentro das menores coisas, como os átomos, ou ainda nos núcleos dos átomos.
Mas o estado do Universo imediatamente após o Big Bang era tão extremo que era possível que os efeitos dos quanta tenham provocado a sua estruturação tal como a conhecemos agora. Cálculos já realizados demonstram que muitas das peculiaridades do Cosmos, que hoje ainda parecem misteriosas, tem explicação perfeitamente natural quando se explicam a elas as leis da mecânica quântica. Isso também vale para quando se deseja investigar por que o Universo, de um lado, é tão uniforme, e de outro, está estruturado de forma tão irregular que tornou possível o aparecimento das galáxias.

Desde que consiga explicar isso, não será mais necessário colocar nas mãos planificadoras de Deus a responsabilidade por tais peculiaridades do Universo, tudo acontece numa ordem sucessiva adequada, de acordo com as leis da Física Quântica. E há algo mais significativo: essa leis permitem explicar por que podem surgir do nada, com toda naturalidade, a energia e a matéria.
Em Roma, a cerca de dois mil anos, o poeta Lucrécio escreveu: "Do nada não pode sair nada". Agora parece, ao contrário, que do nada pode sair tudo: espaço, tempo, energia, matéria e até mesmo ordem. Dito isso, fica claro que o conceito de Deus está outra vez excluído das preocupações da ciência, pois as leis as Física são suficientes para explicar todo o Universo, inclusive sua aparição.
Isso significará, então, que a ciência suprimiu definitivamente Deus? Nesse particular, só posso falar por mim mesmo. Eu creio que o antigo conceito de Deus, que tocou com o dedo um botão qualquer e pôs em marcha todo o Universo, e agora se dedica a contemplar seu desenvolvimento, ficou totalmente desacreditado pela nova Física e pela nova Cosmologia. No entanto, um ponto ainda permanece obscuro: se hoje temos leis que podem explicar praticamente tudo, como explicar a existência dessas próprias leis?
Muita gente aceita as leis da natureza sem nenhuma outra preocupação. As coisas são assim, e pronto. O Sol nasce de manhã; uma maçã cai da árvore para o chão, mas não cai do chão para a árvore; os pólos magnéticos iguais se repelem ,etc. Essas pessoas não pensam mais adiante, nem se perguntam por que é assim, ou acontece assim. Mas, para quem alimenta tais dúvidas e preocupações, é fácil imaginar um mundo caótico, sempre regido pelo acaso, no qual energia e matéria se desenvolvem desordenadamente.
Com isso quero dizer que do ponto de vista da lógica pura não há nenhuma necessidade de que o mundo esteja organizado tal como o conhecemos.
Mas, quando se estudam essas leis mais profundamente não há outra saída: ninguém deixa de se impressionar com sua beleza e sua simplicidade. Um exemplo, entre muitos, pode ser apontado na Física das partículas. Nesse campo o pesquisador se encontra vezes e vezes seguidas frente ao estado de pura simetria. A cada partícula corresponde uma antipartícula e a cada volta para a esquerda, uma outra para a direita. Isso se aplica às próprias leis: elas estão tão entrelaçadas entre si que é impossível não pensar em um plano.

Esse conceito de plano proporcionou aos teólogos, durante muitos séculos, os argumentos indispensáveis para sustentar a existência de Deus. Mas, inadvertidamente, eles sempre usaram como prova de suas teorias exatamente as estruturas mais complexas da natureza, sobretudo os seres vivos. Hoje já se pode explicar facilmente como se desenvolveram todos os seres vivos, e para isso não houve necessidade de nenhum deus.
Mas são as próprias leis da natureza e sua forma matemática, inesperadamente simples, que eu desejo apresentar como demonstração da existência de um plano. 
Permita-me lembrar um exemplo concreto. Nos últimos cinco anos, mais ou menos, os cientistas começaram a se dar conta de que as leis da Física, aparentemente, só podem produzir os componentes da criação, habituais em nossa vizinhança, e mantê-los em funcionamento (as galáxias, as estrelas, os átomos e, sobretudo, nós, os homens) se todos se comportam sempre da mesma forma. Quer dizer, se as chamadas constantes da natureza não se desviam muito dos valores realmente médios.
Constantes da natureza são, por exemplo, a massa de um bloco de pedra ou os componentes do núcleo de um átomo, a força de atração entre cargas elétricas, o efeito recíproco entre diferentes campos de força, etc. Os investigadores que se ocupam destas coisas só enxergam uma cadeia de casualidades improváveis ou casos de encontros acidentais, dos quais depende a existência do Universo. Uma das variações insignificantes seriam suficientes para modificar drasticamente esse mundo, ou mesmo destruí-lo. Dito de outro modo, se esses fatores houvessem sido desde o princípio menores ou maiores, pouco se fosse, do que são hoje, não teria sido possível surgir a vida e, sobretudo, nenhuma vida inteligente.
Por exemplo, no caso da gravitação, seriam mais que suficientes uma debilitação ou um aumento pequeníssimo para produzir uma catástrofe cósmica. Caso fosse provocada uma desordem na relação de forças entre a gravitação e os fenômenos eletromagnéticos, todas as estrelas, inclusive o nosso Sol, se converteriam ou em gigantes azuis ou em anões vermelhos. Em toda a parte, encontramos, à nossa volta, provas de que a Natureza fez tudo de forma correta. O resultado é, portanto, que as leis fundamentais, se expressam matematicamente, não apenas apresentam grande elegância, simplicidade e lógica interna, mas também permitem a existência de sistemas, por exemplo, planetários, com espaços adequados que são, simultaneamente, estáveis e complexos, a fim de proporcionar a base para a vida racional.
Isso significa que a nossa própria existência está escrita nas leis da natureza. Evidentemente, parece que fazemos parte de um grande plano, e aqui chegamos a uma conclusão. Quem aceitar que a nova Física fornece provas da existência de um plano do Universo enfrentará, em seguida, a questão: quem é o planificador? 
Mas a esta altura precisamos abandonar o campo da ciência, que se ocupa apenas do mundo natural, para passar ao campo da Teologia. A nova Física, sem dúvida, dá nova direção ao nosso pensamento, mostra-nos um Universo que é muito mais do que uma casualidade colossal e sem sentido. Eu, de minha parte, creio que por trás de nossa existência há um sentido mais amplo.


Fonte:revistasuperinteressante

Paul Davies

Deuses brasileiros


DEUSES DA MITOLOGIA INDÍGENA BRASILEIRA





  • Tupã é o autor do trovão e dos relâmpagos, sendo o criador do raio, tal onipresença celeste confere a este um poder significativo na mitologia Tupinambá.Os índios acreditavam ser o deus da criação, o deus da luz. Sua morada seria o sol.Tupã não era exatamente um deus, mas sim uma manifestação de um deus na forma do som do trovão. É importante destacar esta confusão feita pelos jesuítas. Nhanderuete, "o liberador da palavra original", segundo a tradição mbyá, que é um dialeto da língua guarani, do tronco linguístico tupi, seria algo mais próximo do que os catequizadores imaginavam.
  •  Jaci: (do tupi îasy "lua"), na mitologia Tupi, é a deusa da Lua, protetora dos amantes e da reprodução. É identificada com Vishnu dos hindus e com Ísis dos egípcios. 
  • No início de todas as coisas, Tupã criou o infinito cheio de beleza e perfeição.Povoou de seres luminosos o vasto céu e as alturas celestes, onde está seu reino.Criou então, a formosa deusa Jaci, a Lua, para ser a Rainha da Noite e trazer suavidade e encanto para a vida dos homens. Mais tarde, ele mesmo sucumbe ao seu feitiço e a toma como esposa. Jaciera irmã de Iara, a deusa dos lagos serenos.
  •  Guaraci ou Quaraci na mitologia tupi-guarani é a representação ou deidade do Sol, às vezes compreendido como aquele que dá a vida e criador de todos os seres vivos, tal qual o sol é importante nos processos biológicos. Também conhecido como Coaraci. 
  • É identificado com o deus hindu Brahma e com o egípcio Osíris.
  •  Yorixiriamori - Esse deus deixava as mulheres encantadas com seu canto,oque despertou a inveja noshomens,que tentaram matá-lo. O deus fugiu sob a forma de um pássaro. É um personagem do mito “Árvore Cantante”, dos Ianomâmis. Essa árvore desapareceu depois da fugada divindade.
  •  Anhangá - Anhangüera supostamente "Coisa Ruim". Ele é o protetor da caça no campo enas florestas; Anhangá protege todos os animais contra os caçadores e quando a caça conseguia fugir os índios diziam que Anhangá ou Anhangüera as havia protegido e ajudado a escapar.Para os jesuítas catequizadores, Anhangá era comparado ao demônio da teologia cristã.Os jesuítas durante a catequese dos indígenas brasileiros, interpretaram equivocadamente "Anhangüera" com os ignificado de "diabo velho" ao invés de"alma antiga". Dizem as lendas: No princípio Nhanderuvuçu criou a alma, que na língua tupi-guarani diz-se "Anhang" ou "añã" aalma; "gwea" significa velho(a); portanto anhanguera "añãgwea" significa alma antiga.
  •  Ceuci - Deusa protetora das lavouras e das moradias, seu filho Jurupari, mesmo nome de um peixe brasileiro, nasceu do fruto da Cucura-purumã, árvore que simbolizao bem e o mal na mitologia Tupi-guarani.
  •  Akuanduba - Divindade dos índios araras, tocava a sua flauta para por ordem no mundo.
  •  Wanadi - Deus dos iecuanas, criou três seres para gerarem o mundo. Os dois primeiros cometeram um erro, e criaram uma criatura defeituosa, que representa os males do mundo. O terceiro concluiu o ato da criação.
  •  Yebá Bëló - Conhecida também como “A mulher que apareceu do nada”, é uma divindade do mito de criação dos índios dessanas. Segundo eles,os seres humanos surgiram das folhas de coca(ipadu), que ela mascava.
  •  Sumé - Zumé, Pay Sumé, Pay Tumé. É o nome de uma antiga entidade da mitologia dos povos Tupis, Guaranis. Sua descrição variava de tribo para tribo. Teria estado entre os índios antes da chegada dos portugueses e que lhes havia transmitido uma série desconhecimentos. Além disso, seria o responsável pela introdução de alguns elementos básicos da alimentação indígena como a mandioca, o mate e a batata doce. Os colonizadores católicos criaram o mito de que se caracterizaria pela figura de um homem branco e barbado, que seria São Tomé. Os padres jesuítas associam esta figura ao apóstolo que é bastante conhecido por suas pregações ao redor do mundo, tendo visitado Ásia e América propagando a "boa nova". O apóstolo teria atingido as Índias Ocidentais seguindo a velha rota do cedro além -mar, praticada pelos cartaginenses(descendentes dos fenícios).
  • OUTRAS DIVINDADES Macunaíma - Deus-Criador (Macuxis, Acavai, Arecunas, Ta ulipangues e Caraíbas). Seu nome significa "O que trabalha de noite". Araçi - Deusa-Mãe do dia.Tem a forma de uma cigarra. Também chamada de Aramanha ou Daridari.

FONTE:espiritualismo.hostmach.com.br/mitologias.htm

O Caldeirão dos Streghes


Espaço do blog criado para troca de conhecimentos, ensinamentos,  para ser um “ponto de referência” de textos para bruxos(as) de diversas tradições e suas vertentes filosóficas.

Desde 29 DE AGOSTO DE 2007. 
Já são sete anos no ar, ajudando você.


Ninguém é proprietário do Paganismo ou das Tradições de Bruxaria no Brasil.

Não temos Papas ou Papisas e muito menos, Supervisores do Paganismo Brasileiro.

Somos  uma religiosidade livre, como o homem natural e primitivo era. Não temos como praticante da antiga religião, arte ou oficio, representantes oficiais.Cada um é o próprio regente de sua tradição e espiritualidade.

Nossa religião, digo... “religião”!

Porque  há quem não considere a bruxaria como religião. Alguns a incluem entre "Arte e Oficio".

Referindo na maioria apenas a origem da palavra em latim ”religare” ou “religar “,como ponto de vista completamente fechado, apenas no significado literal da palavra, mas não em sua amplitude que remonta as origens humanas na terra, desde o primeiro ato de xamanismo e reconhecimento do espírito ou alma humana.
Assim perdem outras importantes fontes, como a palavra grega - Tahira " Coisas Sagradas".A bruxaria é uma arte sagrada portanto uma "Tahira".


O Caldeirão dos Streghes, busca um trabalho de preencher essas lacunas anti- democrática para uma referência mais ampla do paganismo no Brasil.A wicca é bruxaria, mas nem toda bruxaria é arte wicca.

Trabalhamos com temas, dos mais diversos assuntos, dentro da espiritualidade geral.

Não aceitando "proselitismos" de maneira alguma!

Tragam seus temas, dúvidas, divulguem suas tradições e culturas, sempre seguindo os temas propostos!

(Paganismo, Bruxaria e Religiões em geral).

Sejam todos muito bem vindos!

Callegari

A Deusa, as Abelhas e o Mel






Em vários países do mediterrâneo foram encontrados vestígios de antigos cultos (3000 a.C.) de uma Deusa das Abelhas, mas sem que sua exata identidade fosse conhecida. Gravações em tábuas votivas das escavações do templo cretense de Phaistos representam a Deusa como uma abelha, com cabelos trançados como serpentes e com um bico de pomba, combinando assim traços característicos de Athena, Ártemis, Afrodite e Medusa. Desenhos nas paredes do palácio de Knossos corroboram para comprovar a existência de uma Deusa das abelhas na antiga Creta minóica.

A Deusa cultuada na Anatólia (Ásia menor, 3500-1750 a.C.) era representada usando uma tiara em forma de colméia; o mel era considerado sagrado e usado para embalsamar os mortos enterrados em posição fetal em vasos chamados pythoi. ”Cair no vaso com mel” era a metáfora usada para morrer e o pythos era o ventre da Deusa na sua manifestação como Pandora, a Doadora, cuja essência sagrada era o mel.Vários mitos descrevem a restauração da vida após a morte com o auxílio do bálsamo de mel da Deusa. Deméter era chamada de Mãe Abelha e no seu festival Thesmophoria, reservado apenas às mulheres, as oferendas (mylloi) eram constituídas de pães de mel e gergelim em forma de órgãos sexuais femininos.

O símbolo de Afrodite do Seu templo em Eryx era um favo de ouro e Suas sacerdotisas eram chamadas Melissas, assim como também as que serviam nos templos de Deméter, Ártemis, Rhea e Cibele, nos cultos da Grécia, Roma e Ásia menor. Essas sacerdotisas exerciam funções oraculares, se alimentavam apenas com pólen e mel e recebiam o dom de falar a verdade da Deusa Abelha, que a sussurrava nos seus ouvidos.

As abelhas eram consagradas à Deusa desde a antiga civilização matrifocal de Çatal Huyuk (Anatólia) e aparecem nos mitos gregos como “pássaros das Musas”, atraídos pelo aroma das flores do qual preparavam o mel, considerado um néctar divino. Acreditava-se que as abelhas eram almas das sacerdotisas que serviram às deusas Afrodite e Deméter, acompanhando a passagem das outras almas entre os mundos.

O nome científico da classe das abelhas – Hymenoptera – que significa “asas de véu” refere-se ao hymen, o véu que ocultava o altar interno nos templos da Deusa, assim como sua contraparte no corpo da mulher, que é a membrana que veda a entrada para o seu santuário íntimo. A defloração era um ato sagrado realizado com a bênção da Deusa no seu aspecto de Hymen, a padroeira da noite de núpcias e da lua de mel, que tinha a duração de um ciclo lunar e menstrual. O noivo podia acessar a fonte de vida tendo relação sexual durante a menstruação da noiva, momento muito sagrado e poderoso.

No tantrismo o mito relata o batismo ritual (Maharutti) do deus Shiva no sangue menstrual da deusa Kali Maya, sua mãe e consorte, obtendo assim virilidade e poder. A combinação de sangue menstrual com mel era considerada antigamente o elixir sagrado da vida, o néctar criado por Afrodite e ingerido pelos seus sacerdotes e adeptos. Afrodite era reverenciada como a Mãe Criadora ancestral, regente da vida e da morte, do amor e da beleza, do tempo e do destino, conforme comprovam seus múltiplos aspectos como Asherah, Astarte, Inanna, Mari, Moira, Marina, Pelagia, Stella Maris, Hymen, Vênus, Urânia.

Na cosmologia nórdica o néctar de inspiração, sabedoria, magia e vida eterna era uma combinação de mel e do “sangue sábio” contido no caldeirão do ventre da Mãe Terra. Distorções patriarcais atribuíram em mitos posteriores a origem deste hidromel ao sacrifício de um deus pouco conhecido, Kvasir, formado do cuspe fermentado dos deuses e de cujo sangue misturado com mel formou-se o “elixir da inspiração” (uma clara analogia e adaptação da sua verdadeira origem, o sangue menstrual). No mito finlandês o heroi Lemmin Kainem, oferecido em sacrifício e enviado para o mundo subterrâneo da Deusa da morte Mana, foi ressuscitado pela sua mãe com a ajuda do mel mágico trazido pela sua protetora espiritual Mehilainem, a Abelha. Antigas seitas cristãs celebravam um rito de amor que incluía a ingestão da mistura de mel com sangue menstrual, para fins de renovação e renascimento.

O mel era valorizado tanto pelo seu aspecto sagrado, quanto por ser nutridor e preservador, como bactericida. Junto com o sal eram os únicos conservantes do mundo antigo e considerados agentes de ressurreição e transmutação. As abelhas eram símbolos do poder feminino da natureza, que criavam este produto doce e mágico e o guardavam em favos com estrutura hexagonal. O hexágono era considerado pela escola Pitagórica uma expressão do espírito de Afrodite (uma dupla deusa tríplice) e as abelhas reverenciadas como criaturas sagradas, que sabiam como formar hexágonos perfeitos. Nas suas práticas espirituais os adeptos de Pitágoras meditavam fixando a mente na estrutura geométrica do triângulo, do hexágono e dos ângulos de 60°, para compreender melhor os mistérios da simetria cósmica.

No folclore, as abelhas eram associadas tanto com a vida, quanto com a morte. Se abandonassem sua colméia, isso era um presságio nefasto para o dono; em caso de morte de alguém da propriedade, as abelhas deviam ser “avisadas” e imploradas para não irem embora, suas colméias sendo viradas depois na direção contrária à casa. Sonhar com um enxame de abelhas era prenúncio de desavenças e azar, mas o mel nos sonhos era um bom augúrio. Na Irlanda as pessoas compartilhavam seus projetos às abelhas por considerá-las mensageiras dos deuses, assegurando assim a prosperidade. Frases como “pergunte às abelhas que elas sabem” ou “use a sabedoria das abelhas” são comuns nas Ilhas Britânicas. A santa católica Gobnait (adaptação cristã de um aspecto da deusa Brigid) salvou sua paróquia de uma invasão segurando uma colméia nas mãos, o enxame de abelhas cercando e cegando os bárbaros.

No seu aspecto transcendental, as abelhas representam imagens da interconexão sutil e milagrosa da vida. A intrincada estrutura hexagonal, que guarda a dourada essência da vida, é uma equivalente da teia invisível da natureza que coordena todas as criaturas e coisas em um padrão harmonioso. O movimento incessante das abelhas para polinizar as flores e extrair seu néctar para ser transformado em mel, é um exemplo para os humanos trabalharem continuamente, para colherem os frutos dos seus esforços e transformá-los em sustentação e comemoração (os zangões são mortos após a dança nupcial com a abelha rainha por serem preguiçosos e comilões!).

Em um selo de ouro encontrado em um túmulo cretense de 4000 anos atrás, a Deusa e Suas sacerdotisas vestidas como abelhas aparecem dançando junto. A Abelha Rainha, cuidada e nutrida por todas as suas súditas, era a representação neolítica da própria Deusa; o zumbido das abelhas era visto como sendo a transmissão da voz da Deusa. O mel tinha um importante papel no ritual do Ano Novo minóico, que começava no solstício de verão, quando a estrela Sirius nascia junto com o Sol, momento mágico que assinalava o início da colheita de mel das colméias escondidas nas florestas e grutas. Fermentado, o mel virava hidromel, bebida sagrada usada em celebrações e rituais.

Os túmulos em Micenas tinham forma de colméias, assim como também era a pedra sagrada do templo oracular de Delfos, omphalos, que representava o umbigo do mundo. Mesmo depois deste templo inicialmente consagrado a Gaia ser dedicado a Apollo, a função orácular era sempre exercida por uma sacerdotisa – Pythia, chamada de Abelha Délfica. As colméias serviram de modelo para vários templos da antiguidade; o templo egípcio da deusa Neith era conhecido com “a casa das abelhas”, o mel servindo como símbolo de proteção e usado na consagração das fundações e no embalsamento dos faraós.

Uma imagem da deusa Maat a representa como abelha com grandes asas e segurando um pote com mel, augúrio do renascimento. A estátua de Ártemis de Éfeso, considerada uma das sete maravilhas do mundo antigo, tinha inúmeras protuberâncias no seu corpo, cuja natureza não foi elucidada. Uma das teorias as considera seios, daí o nome de Ártemis com mil seios, outras teorias as vêem como frutas de palmeiras, berinjelas, cachos de uvas, ovos de avestruz, bolsas para amuletos ou cornucópias. Mas também podem ser interpretadas como os ovos que a Abelha Rainha deposita diariamente nos favos, Ártemis sendo vista como a representação da Deusa Abelha, cujo dom era gerar continuamente a vida e consagrar a morte como uma etapa que antecedia a ressurreição.

Atualmente bilhões de abelhas estão morrendo no mundo inteiro, sem que seja encontrada uma causa ou explicação, além da evidente e crescente poluição do meio ambiente e a destruição das espécies vegetais. A crise é um alerta global, pois sem abelhas diminuirá cada vez mais a polinização e a humanidade ficará privada de frutas e verduras, aumentando assim as ameaças da fome mundial.

Como mulheres que cultuam e reverenciam a Deusa, precisamos lembrar e refletir sobre a importância – mítica e mágica – do mel e das abelhas, consagrados à Deusa nas Suas várias manifestações das culturas matrifocais. Devemos honrar e invocar as bênçãos da Deusa Abelha com cantos, música, danças, oferendas de mel e orações, pedindo sua clemência para evitar a extinção das Suas súditas no planeta Terra.

Texto: Mirella Faur

Vídeos

Loading...