Stregheria,Stregoneria ou Bruxaria Italiana são os nomes dados a Velha Religião ( Vecchia Religione) da região da Itália. Culto Pagão com origens nos velhos Mistérios Etruscos e Egeus. A Stregheria é uma Religião que é formada por diversos Clãs. (Tradições ou Familias), na maioria segue uma linhagem Hereditária e Oculta. O culto Streghe é diverso, mas segue principalmente os ensinamentos da Prima Streghe( Arádia ou Heródia).
A Deusa Diana e o Deus Cornifero Dianus Lucifero.

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Bruxo Callegari - TV Espelho Mágico

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O que é uma Tradição ?

TRADIÇÃO...


A palavra "Tradição" teve originalmente um significado religioso: doutrina ou prática
transmitida de século para século, pelo exemplo ou pela palavra. Mas o sentido se
expandiu, significando elementos culturais presentes nos costumes, nas Artes, nos
fazeres que são herança do passado. Em sua definição mais simples, tradição é um
produto do passado que continua a ser aceito e atuante no presente. É um conjunto de
práticas e valores enraizado nos costumes de uma sociedade. Esse conceito tem
profundas ligações com outro como cultura e folclore. E, em geral, é matéria de estudo
das ciências sociais, sendo objeto de pensadores clássicos da Sociologia como Max
Weber.
A tradição tem, na perspectiva sociológica, a função de preservar para a
sociedade costumes e práticas que já demonstraram ser eficazes no passado. Para
Weber, os comportamentos tradicionais são formas puras de ação social, ou seja, são
atitudes que os indivíduos tomam em sociedade e são orientadas pelo hábito, pela noção
de que sempre foi assim. Nessa forma de ação, o indivíduo não pensa nas razões de seu
comportamento. O comportamento tradicional seria, então, uma forma de dominação
legítima, uma maneira de se influenciar o comportamento de outros homens sem o uso da
força.
Uma visão clássica da tradição nas ciências sociais acredita que ela teria
dificuldades em acompanhar as mudanças e, à medida que o liberalismo e o
individualismo foram ganhando espaço no Ocidente, os comportamentos tradicionais
teriam perdido espaço. As tradições, nesse sentido, teriam se enfraquecido com a
industrialização e o nascimento das sociedades industriais, dando lugar a uma rotina cada
vez mais preenchida pela ciência e pela técnica.
Mas as tradições evoluem e se transformam com as novas necessidades de cada
sociedade, funcionando inclusive para impedir que ela se dissolva. Segundo Dominique
Wolton, a tradição não é mais vista pelas ciências sociais como uma coisa arcaica, mas
como aprendizagem, reapropriamento. Para ele, na medida que as sociedades se
modernizam, a tradição aparece para suportar a mudança social, pois nenhuma
sociedade muda radicalmente, sendo que cada fase de mudança possui também
estabilidade.
Outra perspectiva comum é a relação feita entre tradição e modernidade. Para
Boudon e Bourricard, é corriqueira a oposição entre sociedades tradicionais e sociedades
industriais. O problema dessa oposição é que ela não traz uma definição clara de quais
são as características de uma sociedade tradicional. Na verdade, ela engloba sociedades
tão diferentes quanto o Sacro Império Romano Germânico e a Babilônia, em contextos
históricos totalmente diversos. E, assim, a definição de sociedades tradicionais termina
por se basear não nas características que elas compartilham, mas nos elementos que elas 
não possuem, e existem nas sociedades modernas, como a escrita, a divisão de trabalho com 
ênfase na produção, as trocas interpessoais. Para esses autores, em vista desses problemas 
é muito mais interessante hoje o uso do conceito de tradição do que de sociedades 
tradicionais, pois tradição é algo que pode existir em todas as sociedades,inclusive nas 
industriais.
A tradição como tema de estudos tem também ganhado espaço na História.
Eric Hobsbawm, por exemplo, estudando o mundo contemporâneo, utiliza o
conceito de tradições inventadas para denominar o conjunto de práticas, de natureza
ritual ou simbólica, regulado por regras aceitas por todos, que tem como objetivo
desenvolver na mente e na cultura determinados valores e normas de comportamento,
por meio de uma relação com o passado feita pela repetição constante dessas práticas.
Para Hobsbawn, uma das características das tradições inventadas é que elas
estabelecem uma continuidade artificial com o passado, pela repetição quase obrigatória
de um rito. As tradições têm como função legitimar determinados valores pela repetição
de ritos antigos (ou de ritos definidos como antigos, no caso das tradições inventadas),
que dariam uma origem histórica a determinados valores que devem ser aceitos por todos
e se opõe a costumes novos.
Hobsbawm defende que um dos aspectos mais fortes da tradição é sua
característica invariável, ou seja, seria um conjunto de práticas fixas que, por serem
sempre repetidas de uma mesma forma, remeteriam ao passado, real ou imaginado.
Mas muitas pesquisas antropológicas recentes, assim como trabalhos sobre o
folclore, contestam o caráter fixo das tradições. Para essas, a cultura popular nas
tradições e manifestações folclóricas se renova constantemente por meio da criação
anônima. No caso de Hobsbawm, ele estuda tradições inventadas pelas sociedades
industriais, que, após a Revolução Industrial, tiveram de criar novas rotinas e novas
convenções. São rituais e eventos que, segundo ele, são muitas vezes criados por um só
personagem, no caso das tradições inventadas. É o caso do escotismo, o corpo dos
escoteiros, instituição internacional criada por Baden Powell, em 1909, com o objetivo de
aperfeiçoar física e moralmente os jovens. O escotismo está repleto de tradições
inventadas, na forma de rituais e normas de comportamento, constantemente repetidos e
ensinados aos novos membros. Também a realeza britânica possui muitas tradições
mencionadas por Hobsbawm, algumas inventadas e outras autênticas, sempre repetidas,
como a cerimônia de coroação ou de sepultamento da realeza na abadia de Westminster,
como para reafirmar a Antiguidade e a legitimidade da monarquia. Nesse sentido, tradição
também tem uma ligação muito forte com o conceito de Antiguidade como um período de
grandes homens, uma Idade de ouro.
Sociólogos como Tom Bottomore e William Duthwaite, por sua vez, acreditam que
o termo tradição deve ser empregado para as esferas mais importantes da vida humana,
como a religião, o parentesco, a comunidade etc., deixando as esferas menores de ritos e
costumes cotidianos com o conceito de folclore. Defendem, além disso, que as tradições
não são necessariamente estáticas ou imóveis. Para eles, migrações e mesmo revoluções, que são fenômenos geradores de mudança por excelência, algumas vezes
estão baseados no desejo de disseminar tradições ou de protegê-las. Eles dão como
exemplo a Reforma Protestante, fenômeno que gerou muitas mudanças sociais e
culturais, mas que teve como base um desejo de retornar às tradições do Cristianismo
primitivo. Por outro lado, poderíamos acrescentar que a colonização da América
espanhola vivenciou também tentativas da Coroa, da Igreja e de determinados grupos
sociais de transferir para as colônias tradições e costumes antigos na própria Espanha,
como o Catolicismo e a cultura da fidalguia.
Outro exemplo do trabalho histórico com a tradição é o estudo do pensamento
ibérico barroco e moderno, por Rubem Barboza Filho, que por meio da tradição procura
entender a constituição das identidades da América Ibérica. Barboza Filho observa a
influência da tradição na formação do caráter moderno da Ibéria. Pensa tradição como um
elemento vivo e atuante, que aparece na vida social do presente. Afirma que o conceito
de tradição foi muito utilizado pelos pensadores ibéricos, como Unamuno, na passagem
do século XIX para o XX, como uma forma de crítica à modernidade, de projeto alternativo
à modernização da Europa que não incluía a Espanha. Muitos intelectuais espanhóis de
então defendiam a revalorização das tradições ibéricas como forma de, mediante
elementos culturais puramente espanhóis, tornar possível superar a decadência na qual o
país se encontrava. Os elementos que Unamuno caracterizou como tradicionais na
cultura espanhola foram a fé, a paixão, a mística. Elementos opostos à modernidade, por
sua vez definida pela ciência e técnica. Personagens como El Cid e Dom Quixote, a
tradição cultural do Século do Ouro (o século XVI na Espanha, auge do império
espanhol), da Arte barroca, da Inquisição e do poderio do Catolicismo e da monarquia
foram recuperados na passagem do século XIX para o XX como elementos de tradição
úteis para a construção de uma identidade própria e conservadora da Espanha, diante da
expansão da modernidade ocidental.
Vemos, assim, que tradição possui muitos significados: pode estar atrelada ao
conservadorismo e ao resgate de períodos passados considerados gloriosos; pode ser
inventada para legitimar novas práticas apresentadas como antigas. Muitas vezes é
pensada como imóvel, mas hoje cada vez mais estudiosos percebem suas ligações com
as mudanças. Está ligada ao folclore, à cultura popular e à formação de identidades.
Assim, é um tema muito prolífico, que dá margem a discussões variadas. No
Brasil, onde a cultura popular está sendo recuperada cada vez de forma mais intensa e
onde também surge um forte movimento de revalorização das tradições e do folclore, é
importante que os professores de História entendam os sentidos dessas noções, assim
como suas diferenças: enquanto a tradição está atrelada a costumes, ritos e valores mais
abrangentes, o folclore trabalha principalmente com as tradições da cultura popular.



Fontes: 
BARBOZA FILHO, Rubem. Tradição e artifício: iberismo e barroco na formação
americana. Belo Horizonte/Rio de Janeiro: Ed. UFMG/Ed. IUPERJ, 2000.
BOUDON, Raymond; BOURRICAUD, François. Dicionário crítico de sociologia.
São Paulo: Ática, 1993.
DUTHWAITE William; BOTTOMORE, Tom. Dicionário do pensamento social do
século XX. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996.
HOBSBAWM, Eric; RANGER, Terence (orgs.). A invenção das tradições. São

Paulo: Paz e Terra, 2002.  

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